Mostrando postagens com marcador Revolução. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Revolução. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cleanin' out my closet


Há momentos na vida de uma mulher preguiçosa em que ela finalmente decide não fazer algo mais divertido - como comer, dormir, observar a parede - para arrumar o armário. E durante essas horas difíceis da vida, ela percebe uma série de coisas:

- não usa 90% das roupas;

- pelo menos 50% delas são de gosto duvidoso;

- como suspeitava nas ocasiões de desespero pré-alguma saída, NÃO, ela não tem o que usar;

- 90% das calças, saias e shorts não sobem mais a linha da coxa que PRECEDE a bunda - agora de tamanho assustador;

- não houve força de vontade suficiente para, "2 kg atrás", perder 2 kg - e agora a soma são 4 kg acima do peso;

- as promoções e liquidações estão acabando e ela não aproveitou para comprar roupas de bom gosto para o novo look "engordei 20 kg";

- as "férias" estão acabando também, o que a lembra dos 20 livros que se prometeu ler e não leu;

- o que remete aos planos de ser uma aluna melhor, os quais não foram cumpridos;

- o que remete aos planos de ser uma profissional melhor, os quais estão lentamente em curso e, provavelmente, não sendo cumpridos;

- o que remete às resoluções de ano novo que, já em fevereiro, não estão sendo cumpridas;

- o que remete à demora para sair daquela posição confortável e realmente ir atrás das coisas que decidiu ser melhores para ela em 2010;

- o que remete ao porquê de todas essas preocupações de enquadramento social e a como a sociedade seria diferente se houvesse outro sistema econômico vigente.

E aí, quando nossa mulher preguiçosa e exausta acorda desses devaneios, percebe que ainda há muito o que limpar e decide que talvez seja melhor deixar tudo isso pra amanhã.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Haiti

é aqui!

Só queria mencionar que racismo não é chamar alguém de "preto", mas tratá-lo como uma pessoa inferior a você. No Rio essa palavra é usada mais naturalmente, mas aqui em São Paulo todos ficam chocados quando é mencionada. E eu vejo isso como um reflexo do racismo embutido, que as pessoas ficam preocupadas em expor.

Outro ponto importante é a indiferença que a gente adotou para seguir o nosso dia-a-dia, é como se fosse tudo bem existir moradores de rua, tudo bem pessoas não terem lazer no fim de semana, tudo bem sua casa estar em um bairro feio e mal cuidado, tudo bem a pessoa nascer e morrer na merda, tudo bem frequentar a escola por 10 anos e não aprender a escrever ou a ler direito, tudo bem não ter trabalho e ficar jogando bola na rua o dia inteiro até inventar uma burrada pra fazer. Tudo bem, né?



Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

terça-feira, 24 de novembro de 2009

RP “Top 5: Revolução Cock and Tales”

Achei tudo isso muito relevante. Nem todas as músicas de que gostamos são engajadas socialmente ou possuem propostas inovadoras ou complexas musicalmente. Nem todos os livros que lemos são obras clássicas merecedoras de prêmios Nobel. A arte não precisa ser sempre uma grande aquisição intelectual. Acredito que tudo serve pra algum propósito, cada coisa em sua hora.

Há situações em que eu escolheria ler Clarice porque preciso me reavaliar, repensar profundamente minhas ações e meus pensamentos. Noutros, Ruy Castro, pra conhecer a vida e obra de alguém. Gabriel García Márquez pra me embasbacar. Mas tem momentos em que não tenho cabeça pra nada, então vou ler "O Diário de Bridget Jones", que é engraçadíssimo e sempre me faz sentir melhor.

Se quiser um momento romântico, ouço "Walking After You", do Foo Fighters. Se estiver brava ou meio chateada, tenho uma vibe meio anos 90, procuro ouvir Bush ou Alanis ("Jagged Little Pill"). Quando estou feliz e me sentindo bem comigo, Red Hot Chili Peppers. Se for andar/correr no parque, black music. Pra descer até o chão, Britney, Lady Gaga, funk-tou-sem-calcinha. Pra ter um momento quente a dois (whaaat?), Audioslave sempre does the trick. Lógico que essas também são generalizações, cada banda tem sua música triste, feliz, sexy ou brava.

As pessoas precisam entender que ler a saga do “Crepúsculo” não impede ninguém de se deleitar intelectualmente com “Os Sertões”, não o torna mais ou menos fútil. Ir pra Porto Seguro não faz de você um axezeiro de primeira, nem uma vagabunda, nem um drogado. Fazer uma coisa, gostar de algo, ir a algum lugar, por si só, não pode, nem deve ser um determinante de personalidade, nem de caráter. É possível sim gostar e respeitar manifestações artísticas marginalizadas pelo circuito cult e, ao mesmo tempo, apreciar e entender em toda sua intelectualidade as obras aceitas no nosso meio preconceituoso de classe média.

E é aí que entra nosso blog. Sou aluna de jornalismo sim, quero ingressar no mercado, me provar capaz, ter um portfólio online e provar aos meus empregadores que sou uma profissional de diferentes mídias. Mas também sou eu mesma, sou mulher, jovem, fútil, profunda, chata, legal, preocupada, desencanada, irritada, doce, tantas coisas ao mesmo tempo, que não consigo ser uma só. E nem a Paula. E nosso blog é isso, é tudo que somos e, ao mesmo tempo, não é nem a ponta do iceberg.

É sobre peguetes e “que-cara-é-mais-gostoso?”? É, mas não é sempre isso. Tem posts autoajuda? Tem. Tem reflexões profundas sobre paradigmas sociais? Tem, caralho. Tive minha época introspectiva (e ao mesmo tempo de me jogar nas baladas) em que escrevi de uma forma totalmente diferente da de agora, que é mais livre e oral. Cada texto, cada gênero tem seu momento. Eu não preciso e nem devo ser literária ou jornalística 100% do tempo. Quero escrever “conversando” agora? Então vou escrever a merda que eu quiser. Quero fazer um conto ou um poema ruim? Faço. Estou num momento brega de fera ferida? Vou falar sobre isso.

Essa sinceridade que nós temos aqui no Cock não nos torna menos relevantes que a menina de Cuba. Só não vamos sair no jornal ou termos a exposição que se dá a um fato relevante para o resto da sociedade. Nosso blog também não muda a vida de ninguém além da nossa. E só por isso ele não deveria existir? Pluralidade é isso, galera.

Duas pessoas me irritaram recentemente. Uma, que não me conhece, me definiu como “doidinha” pelo que escrevi no blog (isso SE a pessoa se deu ao trabalho de LER quem assinou o post), e outra, que não faz parte mais do meu dia-a-dia, me informou de que eu “e as pessoas com quem eu ando” nos focamos demais em relacionamentos e racionalizamos demais sobre sentimentos.

Aos dois idiotas, meus pêsames. Um não faz ideia de quem eu sou e o outro não faz ideia de todos os meus assuntos. Só porque eu posto o mesmo tipo de conversa ou sei lá o que, não significa que seja só isso, né, gente? Pelo amor de deus. Eu odeio ser generalizada, mas uma coisa é verdade: relacionamento humano me interessa. Desde analisar histórias de amor, amizade ou família, até repensar culturas e padrões psicológicos. E, pelo menos superficialmente, acho que isso se expressa aqui. E em nenhum momento eu consideraria isso inferior ao conteúdo do blog da Yoani. São duas coisas completamente diferentes e sem comparação.

É isso que eu tinha pra dizer. Parabéns aos poucos interessados que sobreviveram ao post gigante.

Top 5: Revolução Cock and Tales

As pessoas estão fazendo um estardalhaço sobre a blogueira cubana Yoani Sánchez, que está promovendo debates sobre os problemas de Cuba e está sofrendo muita repressão do governo cubano por isso. Isso nos faz pensar sobre o poder da internet, assim como na campanha Obama e o twitter no movimento "Fora Sarney". Ao mesmo tempo, existe outra discussão sobre o mal uso da internet, uma vez que todos podem possuir uma ferramenta de comunicação e utilizá-la para motivos banais. Muitos podem ver o nosso blog como um desses exemplos negativos, mas não é bem por aí. Nós também estamos promovendo a revolução, e aqui vai o Top 5 dessas revoluções.

1.

Pelo fim da ditadura dos bons costumes. Se é para falar, nós vamos falar e dane-se se as pessoas vão ficar chocadas, ofendidas e até nos interpretar errado. "Doidinha" é a mãe!!!

2.

Fim da ditadura dos blogs de fofoca.
Ok, eles ganham dinheiro e muitos acessos, mas se for para ler Ego todo dia e escrever sobre a Preta Gil em crises de bloqueio criativo, prefiro morrer pobre.

3.

Fim do orgulho do coração partido.
Às vezes ficamos magoadas, assim como toda a raça humana e queremos falar abertamente sobre isso, não só ficar ouvindo Vinícius e chorando na cama e se perguntando "por quê? por quê?".

4.

Estamos propondo novos conceitos de relevância.
Para alguns, o blog é uma ferramenta de status e portfólio, onde a pessoa vai escrever sobre política, cultura, economia e afins, tornando-se cada vez mais lido e conhecido e se firmando com um ser pensante da sociedade. Só que, depois de um post, essas pessoas sempre estão abaladas de alguma forma com a sua vida pessoal, tentando entender suas atitudes e as do outro. Então vamos combinar que, por mais que você estude e busque soluções para melhorar o país ou simplesmente sua vida profissional, você está ao mesmo tempo tentando entender por que um dia está tudo bem com a sua/seu peguete e no outro não está mais.

5.

Comédia Free.
Tempos de crise minha gente, não é marolinha, então para que pagar por um show de stand up, se você pode ler o nosso blog? Ok, que a qualidade dos nossos posts não são constantes, mas quando acertamos, nossos leitores e nós mesmas sabemos que é um momento muito especial.