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sábado, 11 de dezembro de 2010

O bife à parmegiana é meu e eu o faço como eu quiser


Certa vez, eu tava mudando de canal na TV, à noite, quando parei nesse programa de culinária, que tinha um bife à parmegiana com bacon - começou ela. Desta vez, como em muitas outras, não fazia ideia de onde a analogia nos levaria ou de como ela se relacionaria ao meu problema. No decorrer a história talvez eu descobrisse, mas confesso achar muito mais divertido quando não saco logo de cara onde minha psicóloga quer chegar. E, claro, seria incrível encontrar uma relação de semelhança entre um bife à parmegiana e meu modo de vida.

O chef tava fazendo a receita da mãe dele, continuou ela, não era um bife qualquer. Então ele começou a mostrar os ingredientes, explicar quando cada coisa tinha que ir na frigideira; nessa hora você faz isso, enrola aqui, passa um pouco daquilo, sabe? Então, daí, de repente, ele disse "E agora vocês colocam bacon" e fez uma pausa. Ele olha pra gente e fala "Mas bacon? - você deve estar se perguntando. É, bacon. Eu disse que faria o bife à parmegiana da minha mãe, não um qualquer". Então ele foi cozinhando e contando como as pessoas sempre estranharam o bife da mãe italiana dele e sempre a criticaram "Mas bacon? Bife à parmegiana não leva bacon na receita!", ao que ela ria e respondia "Mi piace" - eu gosto.

Então, Marcela, com tudo isso que a gente conversou hoje, se dar o direito de ter as atitudes que você vem tendo faz sentido, mas só contribui pra te prejudicar. Sabe qual é seu verdadeiro grito de liberdade?

Os poucos horários destinados ao lazer pequeno-burguês? Minha viagem de ano novo? Os ridiculamente rápidos fins de semana?

Hahahahaha, não. Vai, você é uma mulher inteligente e já sabe a resposta dessa.

Bloquear as críticas.

Não é bloquear, mas não deixá-las te afetar. Existe uma diferença aí. Você resolveu se cercar de pessoas tão críticas como sua mãe. Então além de procurar pessoas que te façam bem e te enxerguem como você é, existe essa parte de adaptação a ela e aos parecidos com ela. É saber quando as pessoas estiverem projetando elas mesmas em você e responder às críticas, com a maior tranquilidade, "O bife à parmegiana é meu e eu o faço como eu quiser". Porque mi piace. Essa é a verdadeira liberdade.

Como diria a consagrada banda Natiruts, "liberdade pra dentro da cabeça (fumando um baseado-ú)".

Hahahaha é, é por ai.

Mi piace. Gostei. Daqui pra frente todos os meus bifes serão feitos como eu quiser. Porque eles são meus.

domingo, 19 de setembro de 2010

Dogs Days Are Over

Hapiness hit me like a bullet in the brain.
Can you hear the horses?
'Cause here they come


Algumas fases negras demoram a passar. Dá trabalho, e negar a merda da situação toda não leva a nada. Tem que batalhar. E, depois, vêm os louros. A paz. E os cavalos. Quanto tempo vai durar essa felicidade? É pra valer mesmo?

Não importa. Ela tá aqui. And the dog days are over.



A apresentação abaixo é a do VMA. Ela tá linda e cantando incrivelmente bem. Obs. Jaret (hot) Leto é quem chama o show dela. Tem como errar?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Carta para future self - JUCA

Querida Tchela do futuro,
eu sei que você amou o JUCA, mas certas coisas não foram legais. Da próxima vez, por favor não se esqueça de levar sua toalha. E, por mais que pareça uma ocupação desnecessária de espaço, leve um lençol para sua pele não ficar grudando no colchão PLÁSTICO de ar. Isso dói e te acorda. Toda vez.

Não, você não precisa de todas essas blusas. Pode guardar. Sim, você precisa levar esse e mais outro rolo de papel higiênico. Não, você não vai arranjar depois, em outro lugar. Pare com essa preguiça.

Ainda no assunto preguiça, leve uma lona, pelo amor de deus! E espero que, by now, você já tenha comprado uma mala de viagem decente e impermeável. Não se esqueça da tristeza que foi ter todas as suas meias e agasalhos molhados pela chuva.

De preferência, consiga uma barraca impermeável também. E fique no coberto. Não confie naquele seu amigo que ia arranjar um lugar ótimo para as barracas. E não tenha preguiça de mudá-la de lugar, caso ele a tenha colocado no descoberto e próximo à calha das pombas cagonas.

Que mais? Em vez de zoar a sua amiga por ficar obcecada por álcool em gel, que tal levar também? Com certeza você vai precisar. Ah, e leve bebida para a viagem de ida, para não ter que ir de estabelecimento em estabelecimento, no último minuto, perguntando "Vocês têm Chapinha? Isso, aquele vinho ruim?".

Vá de carro. Leve dinheiro vivo. Mais do que isso. Um pouco mais. Isso. Sim, você vai precisar MESMO. Não discuta. E leve remédios, nunca se sabe quando seu companheiro de barraca ficará resfriado.

Outra coisa: quando estiver bêbada, que tal tentar ser inteligente? Só um pouquinho. Eu sei que é foda, mas você consegue se fizer uma forcinha. Consegue sim. Consegue. É só tentar.

Ah, e se você levar a mesma atitude e animação que da última vez, tudo dará certo. True story.

Um beijo bem grande,
amo muito você,

Tchela do passado.

domingo, 23 de maio de 2010

Instistir no erro é burriçe?

Olha, sinceramente, não sei mais. Calma, tenho bons argumentos. Tudo começou (há um tempo atrás, na ilha do sol) com a constatação de uma amiga: “Fui muito burra de continuar com ele depois de tudo que ele me fez”.
Vocês não conhecem a história (e não cabe contá-la aqui, neste momento), mas suponham que, ao longo da relação, o parceiro acusado tenha, de fato, tido comportamentos deploráveis. Insistir num erro desses faz dessa minha amiga burra?
Mas, pera lá, o que é um erro? Existe certo ou errado? Podemos apenas ter relacionamentos com pessoas “certas” para nós, que preencham os requisitos detalhados numa prancheta? Elucubrações fantasiosas à parte, consideremos então que o moço e seu modo de se relacionar sejam um erro.
Ela foi tapada, burra, bastarda, inglória e vagabunda de ter insistido? Isso significa mesmo que ela não tenha amor próprio e merece chibatadas da vida para aprender a se valorizar? Não. Existem inúmeros motivos pelos quais esse fenômeno acontece, e cada um tem o seu.
Sabe quando, na praia, o pai avisa que o mar está bravo, que é perigoso se aventurar nas águas salgadas? E a pessoa vai mesmo assim? Começa a se distanciar, vê o pai acenando freneticamente e, por algum motivo, crê que tudo dará certo, que o mergulho será gostoso? Depois de tomar um caldo, engolir água e quase morrer, o ser iluminado percebe que não, o mar continuará bravo e, se não sair, o engolirá.
É isso. Há momentos na vida em que é necessário ignorar todos os sinais e tentar ao máximo para, depois, entendermos nossos limites, vermos como as pessoas são diferentes e podem nos fazer muito mal. Vermos como estamos nos posicionando, se de fato estamos deixando de nos valorizar, enfim, inúmeras questões. O lobo está vestido de cordeiro; não sabemos se vimos um canino mesmo, ou se nossos olhos nos pregaram peças.
Depois do caldo, aí sim ela aprende o que foi um devaneio e o que era o focinho do predador. Conquista a reserva, a reflexão, o aprendizado. Na próxima aventura aquática, minha amiga entrará no mar aos pouquinhos e de boias nos braços.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Break da vida

Ontem, Mrs. Big Head me perguntou por que a vida é tão difícil. Vou dizer: temos que estudar, trabalhar, manter um corpo gostoso e sem celulite, cabelo brilhante e sedoso, pele hidratada e sem manchas. Daí, temos que ler, ver filmes, ir a peças, falar besteira, conversar sobre coisas sérias, nos engajarmos politicamente, digerir tudo isso e produzir uma massa fecal digna de respeito.

Daí temos que manter a mente saudável, investir nas relações interpessoais e fazer sexo. Pra tudo isso, precisamos de roupas, depilações e manicures feitas. E, pra tudo isso, precisamos de dinheiro. E pra ter dinheiro precisamos fazer tudo isso.

**



*As imagens foram tiradas do Desculpe a poeira.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

De onde vem a calma daquele cara?

Da hipocrisia, da negação. Não importa.

As pessoas sentem-se sós, mas têm os mesmos componentes em organizações químicas diferentes. Cada qual em seu pacote. Alguns diáfanos, outros opacos e, por isso, de aparência calculada. Tolos são os olhos que neles acreditam.

Falta ardil, Marcela. Francamente.

**


De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não saber ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil

De onde vem o jeito tão sem defeito?
Que esse rapaz consegue fingir
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão

Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Dia do dia

Todo dia acordo pensando em desistir. Todo dia.

Mas todo dia, de uma forma ou de outra, chega ao fim. E o resultado, feliz ou triste, ainda é um resultado, uma vitória.

Tenho a tendência a guardar a comemoração para depois, quando sentir que está tudo estabelecido e, com certeza absoluta, certo. Correto. Feliz. Estável.

Mas aí me disseram que não, não deve ser assim. Como os alcoolicos anônimos fazem (sim, este foi o exemplo usado), é um dia de cada vez, e cada um deles deve ser comemorado.

Então, feliz dia do dia.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cleanin' out my closet


Há momentos na vida de uma mulher preguiçosa em que ela finalmente decide não fazer algo mais divertido - como comer, dormir, observar a parede - para arrumar o armário. E durante essas horas difíceis da vida, ela percebe uma série de coisas:

- não usa 90% das roupas;

- pelo menos 50% delas são de gosto duvidoso;

- como suspeitava nas ocasiões de desespero pré-alguma saída, NÃO, ela não tem o que usar;

- 90% das calças, saias e shorts não sobem mais a linha da coxa que PRECEDE a bunda - agora de tamanho assustador;

- não houve força de vontade suficiente para, "2 kg atrás", perder 2 kg - e agora a soma são 4 kg acima do peso;

- as promoções e liquidações estão acabando e ela não aproveitou para comprar roupas de bom gosto para o novo look "engordei 20 kg";

- as "férias" estão acabando também, o que a lembra dos 20 livros que se prometeu ler e não leu;

- o que remete aos planos de ser uma aluna melhor, os quais não foram cumpridos;

- o que remete aos planos de ser uma profissional melhor, os quais estão lentamente em curso e, provavelmente, não sendo cumpridos;

- o que remete às resoluções de ano novo que, já em fevereiro, não estão sendo cumpridas;

- o que remete à demora para sair daquela posição confortável e realmente ir atrás das coisas que decidiu ser melhores para ela em 2010;

- o que remete ao porquê de todas essas preocupações de enquadramento social e a como a sociedade seria diferente se houvesse outro sistema econômico vigente.

E aí, quando nossa mulher preguiçosa e exausta acorda desses devaneios, percebe que ainda há muito o que limpar e decide que talvez seja melhor deixar tudo isso pra amanhã.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Poema que sem querer querendo apareceu na minha frente

troquei o velho coração de pedra
por um novo,
de borracha.
Devolve cada pancada que leva,
mas, com as intempéries do tempo,

também racha.
Kleber Bordinhão


[tudo a ver, né? muito fofo.]

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Top 5: Coisas idiotas que você fazia quando criança

Na verdade esse post tem a intenção de alertá-los sobre suas próprias atitudes, para que possa ser feita uma autoavaliação sobre se você ainda é idiota depois de "crescido".

Então, lembra quando você estava no colégio e as pessoas estavam crescendo, fazendo várias coisas legais, sendo valorizadas por isso e você não? Daí você tinha que correr atrás desse "amadurecimento social" imitando essas pessoas ou mentindo sobre isso? Vamos lá rever as 5 atitudes mais retardadas que a pré-adolescência/adolescência nos fez fazer.

1. Inventar amigos legais fora da escola
Eu tinha uma amiga que inventou um monte de vizinhos, principalmente uma vizinha doida, essa vizinha doida tinha ICQ e as duas nunca estavam online ao mesmo tempo. Um dia eu e outra amiga decidimos testar senhas nesse ICQ e colocamos o nome da banda preferida dessa nossa amiga. ENTROU! E ela quase não tinha amigos naquele icq, portanto, FAKE!! Mas tudo bem, eu e essa minha amiga "hacker" inventamos para os vizinhos dela (são outros vizinhos) que tinhamos uma gang. Hahahahaha. Nós burguesinhas, de 14 anos, tínhamos uma gang. Yeah right! E que tinha o Lelo e do Dudu e eles eram afim da gente. Claro que os vizinhos não acreditaram, mas a gente continuava com a história e, vez por outra, rolava uns babados na nossa gang. Sabe que olhando para trás era bem legal ser loser.

2. Inventar namorado/namorada
Essa é fantástica, porque como a pessoa provavelmente nunca namorou ela não consegue mentir direito. Sempre tem aquele seu amigo loser que chega dizendo que está namorando. Geralmente é uma vizinha da avó, tem uns que falam que é a própria vizinha, levam os amigos direto no prédio, mas olha que coisa, a menina nunca está lá para ele apresentar ou pior: ele esquece de mencionar a menina novamente. Alguns mais espertos elaboram, fazem orkut fake ou colocam mensagens para a pessoa no próprio orkut. Mas não é só criança que faz isso, tenho um conhecido de quase 30 anos que anda agindo dessa maneira. É bem divertido entrar no orkut dele e ler essas coisas idiotas. Você pensa: "Senhor, rogai por nós".

3. Idealizar o garoto/garota popular
A popularidade acontece de uma maneira bem simples nessa fase, você precisar ser socialmente lindo e ter ficado com outras pessoas lindas. Daí tem aquela pessoa da 7ªF, que fica do outro lado do corredor que é A tal. Você não conhece essa pessoa, você vê ela fazendo coisas toscas no intervalo, mas você ama ela. Passa o dia imaginando como seria sua vida se essa pessoa de repente te amasse, você ia relutar é claro, mas ela ia insistir e se declarar para você na frente de todos, assim como nos filmes. Acho isso muito saudável, é uma fase ué, mesmo que você surte e faça coisas como mandar uma carta. Hoje eu sei que sou uma pessoa melhor por ter mandado uma carta para o Bruno R***** na 5ª série, ele estava no 1º colegial, nunca ia rolar, mas na 5ª série você acredita que o amor vence barreiras e que você merece porque é bonita por dentro, já que por fora, convenhamos, aparelho, espinhas e cabelo enrolado, não te torna exatamente A sensação do ensino fundamental (puberdade não é boa para todos). Enfim, nessa fase você também acredita em outras coisas bizarras como: Meninos de cabelo arrepiado com gel, cueca para fora da calça, boladinhos durante o futebol e estojo com muitas canetas, mesmo que a maioria não funcione.

4. Guerra de titãs
Hoje, quando você não vai com a cara de alguém ou descobre que esse alguém foi falso contigo, você ignora a situação, entende que a pessoa não é tua amiga e passa a só cumprimentá-la e conversar assuntos banais. Mas no colégio as coisas não eram tão diplomáticas assim. Primeiro você compartilhava com o grupo a opinião, depois, após o grupo concordar que você está certa, rolava aquele confronto básico com a outra pessoa e mesmo que ela negasse tudo, é claro que você ia acreditar na pessoa que te contou primeiro. Então todos viravam a cara para essa pessoa. Eu costumava ser banida por gostar de caras que minhas amigas eram afim e isso era errado, não que alguma de nós tivesse chance, mas não podia, até que eu aprendi que eu podia gostar do cara, mas era só não falar isso. É claro que sempre tem a amiga que você confia mais e no fim ela acaba contando para a outra amiga que começou a gostar do cara primeiro, e depois de vocês brigarem e fazerem as pazes fica decidido excluir ela por ter sido escrota, mas depois de um tempo todo mundo volta a ser amiga e se amar.
Não podemos esquecer das disputas por amigas, mas tô com preguiça. É bem complexo esse tópico.

5. Acreditar no pra sempre
- Parece que você vai estar no colégio pra sempre.
- Que suas amigas serão suas amigas para sempre.
- Que o seu cabelo vai te dar trabalho pra sempre (de fato).
- Que os Backstreet Boys vão estar aí pra sempre (de fato, entre aspas).
- E que você vai ser infeliz e reprimido socialmente para sempre.
A verdade é que: o colégio acaba e você entra no mercado de trabalho e não tem volta, suas amigas se tornam pessoas diferentes e você também mas a manutenção da amizade é possível (vide Paulevisk e Tchela), seu cabelo é enrolado mas com a maturidade você decide cuidar mais dele, o AJ é alcólotra, o Nick retardado, o Brian evangélico praticante, o Howie D heterossexual e o Kevin lindo para sempre. Descobre que a felicidade não é "tudo estar como você quer", porque você nunca sabe o que quer, mas é estar feliz com o que você tem e é. Descobre que não se trata mais de ser popular ou não, mas de ter pessoas ao seu redor que te respeitem e que gostem de você do jeitinho bizarro que é. E infelizmente descobre que gritar no metrô é escroto.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

RP “Top 5: Revolução Cock and Tales”

Achei tudo isso muito relevante. Nem todas as músicas de que gostamos são engajadas socialmente ou possuem propostas inovadoras ou complexas musicalmente. Nem todos os livros que lemos são obras clássicas merecedoras de prêmios Nobel. A arte não precisa ser sempre uma grande aquisição intelectual. Acredito que tudo serve pra algum propósito, cada coisa em sua hora.

Há situações em que eu escolheria ler Clarice porque preciso me reavaliar, repensar profundamente minhas ações e meus pensamentos. Noutros, Ruy Castro, pra conhecer a vida e obra de alguém. Gabriel García Márquez pra me embasbacar. Mas tem momentos em que não tenho cabeça pra nada, então vou ler "O Diário de Bridget Jones", que é engraçadíssimo e sempre me faz sentir melhor.

Se quiser um momento romântico, ouço "Walking After You", do Foo Fighters. Se estiver brava ou meio chateada, tenho uma vibe meio anos 90, procuro ouvir Bush ou Alanis ("Jagged Little Pill"). Quando estou feliz e me sentindo bem comigo, Red Hot Chili Peppers. Se for andar/correr no parque, black music. Pra descer até o chão, Britney, Lady Gaga, funk-tou-sem-calcinha. Pra ter um momento quente a dois (whaaat?), Audioslave sempre does the trick. Lógico que essas também são generalizações, cada banda tem sua música triste, feliz, sexy ou brava.

As pessoas precisam entender que ler a saga do “Crepúsculo” não impede ninguém de se deleitar intelectualmente com “Os Sertões”, não o torna mais ou menos fútil. Ir pra Porto Seguro não faz de você um axezeiro de primeira, nem uma vagabunda, nem um drogado. Fazer uma coisa, gostar de algo, ir a algum lugar, por si só, não pode, nem deve ser um determinante de personalidade, nem de caráter. É possível sim gostar e respeitar manifestações artísticas marginalizadas pelo circuito cult e, ao mesmo tempo, apreciar e entender em toda sua intelectualidade as obras aceitas no nosso meio preconceituoso de classe média.

E é aí que entra nosso blog. Sou aluna de jornalismo sim, quero ingressar no mercado, me provar capaz, ter um portfólio online e provar aos meus empregadores que sou uma profissional de diferentes mídias. Mas também sou eu mesma, sou mulher, jovem, fútil, profunda, chata, legal, preocupada, desencanada, irritada, doce, tantas coisas ao mesmo tempo, que não consigo ser uma só. E nem a Paula. E nosso blog é isso, é tudo que somos e, ao mesmo tempo, não é nem a ponta do iceberg.

É sobre peguetes e “que-cara-é-mais-gostoso?”? É, mas não é sempre isso. Tem posts autoajuda? Tem. Tem reflexões profundas sobre paradigmas sociais? Tem, caralho. Tive minha época introspectiva (e ao mesmo tempo de me jogar nas baladas) em que escrevi de uma forma totalmente diferente da de agora, que é mais livre e oral. Cada texto, cada gênero tem seu momento. Eu não preciso e nem devo ser literária ou jornalística 100% do tempo. Quero escrever “conversando” agora? Então vou escrever a merda que eu quiser. Quero fazer um conto ou um poema ruim? Faço. Estou num momento brega de fera ferida? Vou falar sobre isso.

Essa sinceridade que nós temos aqui no Cock não nos torna menos relevantes que a menina de Cuba. Só não vamos sair no jornal ou termos a exposição que se dá a um fato relevante para o resto da sociedade. Nosso blog também não muda a vida de ninguém além da nossa. E só por isso ele não deveria existir? Pluralidade é isso, galera.

Duas pessoas me irritaram recentemente. Uma, que não me conhece, me definiu como “doidinha” pelo que escrevi no blog (isso SE a pessoa se deu ao trabalho de LER quem assinou o post), e outra, que não faz parte mais do meu dia-a-dia, me informou de que eu “e as pessoas com quem eu ando” nos focamos demais em relacionamentos e racionalizamos demais sobre sentimentos.

Aos dois idiotas, meus pêsames. Um não faz ideia de quem eu sou e o outro não faz ideia de todos os meus assuntos. Só porque eu posto o mesmo tipo de conversa ou sei lá o que, não significa que seja só isso, né, gente? Pelo amor de deus. Eu odeio ser generalizada, mas uma coisa é verdade: relacionamento humano me interessa. Desde analisar histórias de amor, amizade ou família, até repensar culturas e padrões psicológicos. E, pelo menos superficialmente, acho que isso se expressa aqui. E em nenhum momento eu consideraria isso inferior ao conteúdo do blog da Yoani. São duas coisas completamente diferentes e sem comparação.

É isso que eu tinha pra dizer. Parabéns aos poucos interessados que sobreviveram ao post gigante.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ser conhecido ou reconhecido? Eis a questão.

Não entendo alguns conceitos de algumas pessoas. Como por exemplo, o de ser pop. Não entendo querer ser conhecido sem ser reconhecido. Acho que em certa altura da vida, não compensa mais ser "o fulano gente boa", mas tá na hora de virar o "fulano, ele faz não sei que lá e é tal tal de não sei da onde". Não sei se é porque eu sempre abominei aquelas garotas de blush em excesso no colégio que percorriam toda uma jornada para ser popular e a maioria só conseguia porque beijou o cicrano ou porque ficou bêbada na festa de não sei quem que foi sem ser convidada.

Cada um com os seus objetivos de vida, mas não consigo encaixar isso como suficiente na minha vida. Entendo que ser conhecido ajuda a ser reconhecido, mas é preciso fazer algo palpável para tal. Existem, também, aquelas questões de "ciclo da vida", por exemplo, há um tempo atrás eu fazia parte ativamente de um grupo para pessoas até 20 anos e era conhecida e reconhecida pelo meu trabalho nele, hoje as coisas mudaram e aquela fase passou. Ainda vejo muita gente com a minha idade e até mais velha correndo atrás desse reconhecimento ou fazendo sua manutenção. Mas passou. Com 22 anos e entrando na vida profissional, os objetivos são outros, o foco é outro. Tem que estudar, se especializar, correr atrás. Porque para cada coisa existe o seu momento, e se você perder esse momento, acabou. Não adianta ficar congelado nele porque o próprio nome já diz, congelado é estagnado.

Não dá pra desistir, por mais difícil que seja imaginar como sua casa vai ficar quando pronta, tem que ir colocando os tijolinhos, montando uma fundação firme. De maneira pensada, calculada, mesmo que seja só por estimativa. Impossível 100% de certeza e viver sempre foi um risco mesmo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Decisões

Que tal não tomá-las? Sério.

Queria ter cinco anos de idade neste momento.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Acerto de merda

Como dito anteriormente, às vezes a gente acerta nas pessoas. Só que desta vez o acerto foi outro: o de apostar naquela dica de nossa intuição para não confiarmos plenamente em alguém. E daí chega aquele extremista e diz "Eu sabia, eu te falei. Nunca fui com a cara dessa pessoa". Gente, também não é por aí.

Agarrar-se a motivos idiotas para banir um fulano da vida, sem ter certeza de nada, também não é nada sábio. Pois, como eu também já disse, às vezes a gente erra. E apenas ver flores nas pessoas também não é bom. Ingenuidade pode ser bonito, indicar pureza de alma (quem sabe?), mas te fode (sim, isso é uma indireta bem direta. É, é pra você mesmo).

Então, descobri em minha decisão um acerto. Não bani ou julguei com afinco, mas também não entreguei nada que pudesse me ferir no futuro. Quando chegou o momento da decepção, foi metade choque, metade a confirmação indesejada. Às vezes, é chato estar certo. Bem chato.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Diamond in the rough

De vez em quando, apostamos nas pessoas erradas. É verdade, não tem jeito: a gente não acerta sempre. Mas tudo bem, porque quando chega aquele momento especial, parece que tudo valeu a pena.

Não sei se é só comigo, mas eu sempre ouço coisas do tipo "não sei como você é amiga do fulano". É fato que eu dou chance demais pras pessoas. Mas há momentos em que vem aquela confirmação, um calor enorme, o tapinha nas costas de quem fez a coisa certa.

E foi isso que eu senti esses dias, sentada no meio da minha rua, com a cabeça deitada no ombro do Helton.

Um beijo especial pra você, uma pessoa muito especial que mora no meu coração.
*Já que ninguém entende minhas sutilezas, o título é uma referência a Aladdin. E o significado disso só ele vai entender.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Turning point

Acho que esbarrei num daqueles momentos da vida em que há uma coisa muito grande e intensa, bem do meu lado, com a qual ainda não consegui interagir.

Ela me diz: "Quando você estiver preparada pra me olhar nos olhos, me interiorizar e me digerir, verá como era imatura e não sabia. Aí, sim, você caminhará para ser mais mulher".

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Lupa

Gostaria do fundo do meu coração que fosse mais fácil me entender, saber exatamente o que estou sentindo e por quê. Tolos são aqueles que não veem o que está por trás dos desejos. Posso estar sentindo um apetite muito grande por comer chocolate, por pegar minhas malas e viajar para sempre com um amante latino, mas será que nossas vontades limitam-se a elas mesmas?

Lógico que não. O amante e o chocolate e a viagem são meros subtitutos pra sexo, alegria e experiências de vida. Às vezes nos enganamos sem saber, às vezes achamos que estamos nos enganando, mas não estamos. É complexo. Pode ser que eu realmente só queira um chocolatinho e uma viagem interessante regada a aventuras libidinosas com um parceiro interessante. Pode ser que eu queira essas coisas, mas também as esteja usando como substitutas.

Independentemente da resposta, há algo que sei deste momento em que escrevo: tenho uma saudade grande e triste no coração.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Apenas o fim

"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma pessoa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."

Clarice Lispector, A Paixão segundo G.H.

**

Depois eu posto os melhores momentos de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

terça-feira, 28 de julho de 2009

Descoberta

Hoje, quando cruzou as pernas dentro do carro, lembrou daquela primeira vez. Devia ter uns 11 anos e estava indo para a festa de um primo. De vestido azul, colado no corpo rechonchudo, meia de seda e botinhas, entrou no carro apertado de familiares. Foi então que, para caber no pequeno espaço designado, cruzou as pernas.

Mas ela deve ter entrelaçado de alguma forma diferente das outras vezes, com outra intensidade ou força, pois de repente sentiu uma pontinha de felicidade. Uma sensação gostosa. Olha, vamos para a festa! Uma animaçãozinha sem sentido, que por algum motivo estava entre suas coxas.

E se ajeitou. Opa, veio de novo, e ainda subiu um pouquinho mais. Inclinou o tronco um pouco pra frente, apertou mais um pouquinho... mmmm. Que coisa estranha, o que será?

Só que aí chegaram na festa.

sábado, 25 de julho de 2009

Sweet Home Alabama

Quando passo em frente ao BicBanco da Paulista, lembro daquela Chapinha que bebíamos. Andávamos, andávamos, conversávamos, conversávamos, sem um puto no bolso, sem programa pra cumprir. E daquela vez fomos descansar naquelas escadinhas de pedra marrom clara.

Não lembro se algo importante foi dito. Aliás, sempre eram conversadas coisas importantes. Mas aquele dia me marcou bastante. Estava friozinho. Lembro da sensação de paz, de completude, de unicidade e cumplicidade com as decisões que a vida toma. Minha rebeldia dormia.

Às vezes o fim de algo nos faz questionar a veracidade do que vivemos. Após três anos, teria distância o suficiente para dizer que me enganei, que mentimos um pro outro, que fomos falsos. Mas não posso. Acredito muito na intensidade daquela amizade que eu tinha como certo, dentro de mim, durar até que tivéssemos setenta anos.

Por um lado, julgo minha mágoa e penso que fui egoísta (este tem sido o assunto do momento, não?). Quero as pessoas pra mim, independentemente de fazê-las bem? Que coisa feia. Por outro lado, não tem jeito: eu merecia uma explicação. Merecia o pouco conforto que o entendimento e a aceitação poderiam me oferecer naqueles tempos difíceis.

Mas o que vivemos foi muito bom. Conheci meus filmes preferidos, interagimos com uma conexão sem igual, fomos comparsas do crime, dividimos um sonho, provamos que é possível viver muitas coisas com apenas R$ 6,00 no bolso.

Numa realidade paralela, ainda nos vemos, gritamos “eu te amo” do prédio mais alto de São Paulo, andamos na rua com as bocas sujas de açaí e desenhamos no paint como vemos a vida, como ela é 3boba and we love it.

Lieutenant Daniel Taylor: Where are you boys from in the world?
Forrest Gump, Bubba: Alabama, sir!
Lieutenant Daniel Taylor: You twins?
Forrest Gump: No, we have no relations, sir.