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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

À deriva


Boiar. É só o que tenho vontade de fazer no momento.

sábado, 25 de setembro de 2010

A mini-craque


Lá estava ela, a cabeçuda. A menos de um metro de mim, vivendo por aí com uma cabeça gigantesca. Digna de um E.T., juro. Não digo isso pela raiva. É a cabeça. Era enorme em cima e fazia uma curva brusca para baixo, onde se encontrava com o pescoço a um tamanho normal.

Olhei muito. Fiquei lá, mirando os raio lasers dos meus olhos naquele crânio bizarro e superdesenvolvido. Que horas ela vai se tocar? Que horas a cabeça dela vai olhar pra trás, notar meu olhar assassino e entender o quanto estava sendo inconveniente? Quando essa cabeça vai explodir? Não é possível que não esteja sentindo todo esse ódio direcionado!

É. Mas não sentiu, não explodiu e não se tocou. Desisti. E a cabeçona ficou lá intacta, enquanto o pagodão alto de seu celular, feito especialmente para irritar os outros, ecoou pelo ônibus todo na sexta-feira mais cansativa de todas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Closure


A gente quer muito muito muito aquele ponto final catártico e cinematográfico, que vai selar a vitória sobre as emoções e sinalizar a época de novos caminhos. É lindo, mas nunca acontece. Não quando queremos.

E daí, um belo dia, quando o ponto final já foi dado há tempos e você nem se deu conta disso, aquela cena bombástica acontece. E já não significa mais grande coisa. Você não precisa mais dela. E o mérito é todinho seu. Enjoy.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

As fábulas da não-ligação

Por Sr. Russo


"Ele não ligou para que não fosse atrapalhado o seu precioso sono, que seria, provavelmente, sucedido de um belo e reforçado café da manhã, com frutas e iguarias bem servidas pelos seus escravos, enquanto a belíssima Marcela aguarda a carruagem e a ida à ópera com o lorde Daniel I.
- Leide Marcela... mandaram chamar.
- Oh! sim! Deve ser o tílburi! Manda-me esperar, vou em busca da sombrinha."

"Vai ver ele não te ligou para não incomodar a larga produção de mel pelos favos da sua colmeia, abelha rainha Marcela. Ele pode ter imaginado que era melhor deixar que você descansasse, enquanto seus zangões e operários trabalhavam para lhe fornecer o mais doce dos doces e para que você continuasse a zunir com tamanha beleza e com esta bela cinturinha."

"Ele procurou não ligar para não atrapalhar o ritual de umbanda que estava sendo realizado em sua homenagem, em algum terreiro atrás do Bristol, idolatrando a maravilha morena que é Marcela. Você deixou o celular com algum preto velho que, lendo a bina, preveria o futuro: esse é grude, minha filha, vou receber uma entidade aqui que vai afastar gente ruim que dança em boates."

"Ele não te ligou porque temeu - e temeu muito - a reação equivocada - demasiado equivocada, ora, e o amor?? - do carcereiro, arrastando o cacetete pelas grades. O homem, caso visse o detento Daniel, preso por amar demais, condenado às barras da cela do presídio 'Desdém de Marcela I', caso o visse ligando de um celular roubado, colocá-lo-ia na solitária, à espera eterna do encontro com a amada."

"Ele não quis ligar no seu celular com medo de que interrompesse o espetáculo 'A vida de Daniel', o qual você protagonizava; um monólogo esplêndido e mundialmente premiado, com você usando um colant preto, uma forma de protesto à aderência excessiva do amante, que te espreme à maneira das ruas de São Paulo, por onde vocês, certa vez, se abraçaram."

And scene!