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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Mente cheia é casa de bactérias?

Minha mãe acabou de entrar aqui (não, não vou explicar onde é "aqui") com um pote de requeijão aberto. Ela olhou pra bem pra mim e bateu a porta. Enquanto para um leigo isto não faria o menor sentido, eu sei o que significa: deixei o requeijão aberto na pia por mais de cinco minutos, em contato direto com o ar, o que significa contaminação por bactérias.

Segundos antes de ela entrar, eu estava encarando fixamente a parede branca, provavelmente com cara de idiota, pensando em um zilhão de coisas, perdendo meu tempo e não chegando a conclusão alguma. Fora o episódio do requeijão, posso contabilizar mais um monte de ocorrências (realmente importantes) de falta de atenção provocada pela minha cabeça cheia (de merda).

Sinceramente, quero que o requeijão se exploda. Mas devo dizer que voltei a olhar a parede com aqueles olhos de gente louca (crazy eyes) e me perguntei se, toda vez que deixo a tampa da minha mente aberta, ela não se contamina e, consequentemente, se torna uma incubadora de bactérias.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A metáfora de Aretuza



Hoje, durante o trabalho, recebi no MSN um link para o vômito de Aretuza. Apesar de este ser mais um vídeo maldoso e nojento do You Tube, acho que podemos tirar uma grande lição dele. Adoraria comentar sobre como os amigos dela foram horríveis em postar isso na internet e como foi agoniante vê-la quase vomitando (e vomitando de fato, convenhamos), o que me lembrou muito de minhas próprias sensações pré-vômito. Mas pensei muito em Aretuza ao longo do dia, e a melhor parte dessa reflexão foi um choque: me identifiquei muito com a menina.

Gente, a Aretuza ficou metade do vídeo enjoada, com uma cara péssima, enquanto os amigos riam e se divertiam naquele brinquedo não-identificado. Daí ela ficou vomitando durante um minuto (vai, vamos arredondar), soltou um "Caralho!" (aos 3' 10'') e aproveitou uns 10 segundos de aventura. O vídeo tem 3' 45'' e, em apenas 10 segundos dele, Aretuza foi feliz. Toda gorfada.

Qual é a lição? Supondo que Aretuza segurou o vômito, imaginemos que, numa situção diferente, os restos alimentícios tivessem jorrado logo no começo do vídeo. Ela soltaria o palavrão mais cedo e sorriria por mais tempo. E o gorfo secaria um pouco mais com o vento. E provavelmente o vídeo não teria tanta graça e nem seria divulgado na internet. Aretuza, preocupada demais em não vomitar, além de não ter evitado o episódio lastimável, deixou de se divertir.

A previsão estava certa: o vômito aconteceu. Mas será que Aretuza antecipou aqueles gorfos a jato? E a fama de seu vídeo? Duvido muito. Todas as vezes na minha vida em que acertei o "fim" da história, os detalhes foram tão imprevisíveis que foi como se eu tivesse errado. Enfim, nunca é edificante. Eu deveria ter me gorfado no começo e evitado horas e horas de pré-gorfo e cara de bunda. Ou seja, não sei como terminar esse texto, a não ser clamando "Vomite sem medo e seja feliz!" (superdeselegante, porém sincero).

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dia do Nordestino: Tudo sobre minha mãe

Apesar de eu ser uma nordestina aculturada não poderia deixar esse dia passar sem alguns comentários. Na verdade, algumas observações.

O que isso significa?

Para os provenientes de outras regiões do país é um dia para piadas preconceituosas ou discursos piegas sobre o nordestino "romanceado", para não dizer idealizado. Para mim é um pouco da primeira e outro pouco da segunda opção com uma pitada de complexo de "não sei quem eu sou e não sei de onde vim". Por isso vou falar da minha mãe que uma nordestina quase que de verdade.

Minha mãe nasceu em Pernambuco, em uma cidade que vocês nunca ouviram falar, então nem vou dizer. Filha de mãe viúva bitolada em igreja, a mais nova de onze filhos e uma das 3 únicas filhas mulheres, cuja a diferença de idade é de 10 anos entre cada. Analisando a vida da minha mãe a gente pode ver que ela foi criada a partir dos pilares que sustentam a imagem que o resto do país tem do nordestino: catolicismo exacerbado, machismo, homens promíscuos, madrinhas semi-deusas, tias solteironas, ascensão e declínio social e racismo, só faltou a peixeira e a gaita. Mas apesar dessa criação ela nunca acreditou nessas coisas e por isso sempre foi um peixe fora d'agua dentro da própria família. Em 89 foi para o Rio de Janeiro onde se aproximou da família do meu pai que é extrovertida, engraçada e unida. Não se iludam, famílias não são perfeitas, mas teve contato com um tipo de interação famíliar que ela não estava acostumada e isso despertou uma característica muito especial dela: o humor. Durante 30 anos ela foi introvertida e de repente ela começou a expor algo que sempre teve, mas nunca encontrou espaço para se expressar.

Em 97 ela veio para São Paulo, onde pôde retomar o contato com livros, filmes etc, que ficou adormecido na época do Rio, pois as prioridades eram outras. É incrível, mas a minha mãe tem assunto com TODO mundo. E quando eu digo assunto, é assunto mesmo e não só ficar ouvindo o outro e fingindo que isso é uma conversa e soltando um pseudo comentário de vez em quando. Não! Ela tem conteúdo para compartilhar horas com qualquer pessoa. E São Paulo trouxe isso para ela, a auto- estima e também recursos financeiros.

Durante muitos anos e talvez até outro dia, eu não me permitia aceitar São Paulo. Eu sempre me considerei carioca, minha família estava lá, entre outros eventos, mas a minha mãe ficava dizendo: "Paula, a gente é do lugar que foi melhor para a gente". Sem dúvidas São Paulo é esse lugar, especialmente para a minha mãe.

Mas se a minha mãe é de São Paulo, por que nos sonhos ela acorda em Pernambuco?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Homem-fortaleza

Eu tinha me esquecido. Não sabia bem por quê. Sentia falta daquele abraço com a certeza de que me seria um respiro. E, ainda que o tenha sido, foi uma surpresa. Eu tinha me esquecido completamente de como era.

Quando ele me abraça, é uma torre. Pequenininha, disparo escadaria acima, correndo, correndo, percorrendo os degraus circulares na imensidão azul-escura. De repente, quase no topo, ele me encontra nas escadas. Agachamos de repente, não há tempo a perder. E cochichamos, ofegantes, nossos planos. Bem baixinho para não ecoar.

Depois, com mais calma, subimos os degraus restantes até o topo, onde contemplamos debaixo do céu pontilhado um mar de trigo e de silêncio. A brisa preenche meus pulmões e leva o cherinho de noite a cada célula do meu corpo.

E aí ele me solta. É um homem-fortaleza que tudo pode, mas nem tudo faz, porque nem se deu conta de que pode tudo. Então, me abraça.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

- Eu preciso te contar uma coisa,

mas eu não sei como você vai reagir.
- Manda!
- Bom, eu não gostei muito daquela sua amiga.
- Aaaaah! Que susto! Achei que você fosse me contar que estava grávida. Ou que tinha dado o cu.
- HAHAHA!
- Hahahaha! É verdade, foram as duas coisas que pensei imediatamente! "Oh my god, será que ela tá grávida? Não, isso é muito sério. Ah! Ela deu o cu! Será?"
- EU SABIA QUE VOCÊ IA PENSAR NISSO!
- Pra você ver que algumas coisas não mudam...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Perguntas

Sentei na poltrona em frente à lareira com meu chá quente nas mãos. Cruzei as pernas, pés com pantufas. Assoprei, dei uma olhadinha pra ele. Coração acelerado. Em breve, vai responder todas as minhas perguntas. E eu vou saber.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Break da vida

Ontem, Mrs. Big Head me perguntou por que a vida é tão difícil. Vou dizer: temos que estudar, trabalhar, manter um corpo gostoso e sem celulite, cabelo brilhante e sedoso, pele hidratada e sem manchas. Daí, temos que ler, ver filmes, ir a peças, falar besteira, conversar sobre coisas sérias, nos engajarmos politicamente, digerir tudo isso e produzir uma massa fecal digna de respeito.

Daí temos que manter a mente saudável, investir nas relações interpessoais e fazer sexo. Pra tudo isso, precisamos de roupas, depilações e manicures feitas. E, pra tudo isso, precisamos de dinheiro. E pra ter dinheiro precisamos fazer tudo isso.

**



*As imagens foram tiradas do Desculpe a poeira.

sábado, 10 de abril de 2010

Reality check

- Ah, por que eu não posso ter o meu Jesus Luz?

- Porque você não é rica.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cleanin' out my closet


Há momentos na vida de uma mulher preguiçosa em que ela finalmente decide não fazer algo mais divertido - como comer, dormir, observar a parede - para arrumar o armário. E durante essas horas difíceis da vida, ela percebe uma série de coisas:

- não usa 90% das roupas;

- pelo menos 50% delas são de gosto duvidoso;

- como suspeitava nas ocasiões de desespero pré-alguma saída, NÃO, ela não tem o que usar;

- 90% das calças, saias e shorts não sobem mais a linha da coxa que PRECEDE a bunda - agora de tamanho assustador;

- não houve força de vontade suficiente para, "2 kg atrás", perder 2 kg - e agora a soma são 4 kg acima do peso;

- as promoções e liquidações estão acabando e ela não aproveitou para comprar roupas de bom gosto para o novo look "engordei 20 kg";

- as "férias" estão acabando também, o que a lembra dos 20 livros que se prometeu ler e não leu;

- o que remete aos planos de ser uma aluna melhor, os quais não foram cumpridos;

- o que remete aos planos de ser uma profissional melhor, os quais estão lentamente em curso e, provavelmente, não sendo cumpridos;

- o que remete às resoluções de ano novo que, já em fevereiro, não estão sendo cumpridas;

- o que remete à demora para sair daquela posição confortável e realmente ir atrás das coisas que decidiu ser melhores para ela em 2010;

- o que remete ao porquê de todas essas preocupações de enquadramento social e a como a sociedade seria diferente se houvesse outro sistema econômico vigente.

E aí, quando nossa mulher preguiçosa e exausta acorda desses devaneios, percebe que ainda há muito o que limpar e decide que talvez seja melhor deixar tudo isso pra amanhã.

domingo, 15 de novembro de 2009

Decisões

Que tal não tomá-las? Sério.

Queria ter cinco anos de idade neste momento.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Suco de abacaxi com hortelã

Outro dia, estava pensando seriamente sobre a questão abordada pela Tchela em uma conversa, a do suco de abacaxi com hortelã. Ela disse que não entendia as pessoas pedirem uma coisa que não faz diferença, no caso, a hortelã. Refletindo sobre isso ela tem toda razão, é tipo o quiche de whatever com alho poró; não sei quando hortelã e alho poró se tornaram coisas finas e elegantes da culinária, mas...

Então conclui o seguinte: hortelã e alho poró fazendo diferença ou não, contanto que não alterem o preço de simplesmente quiche ou suco de abacaxi, pra mim é bônus.