Apesar de eu ser uma nordestina aculturada não poderia deixar esse dia passar sem alguns comentários. Na verdade, algumas observações.
O que isso significa?
Para os provenientes de outras regiões do país é um dia para piadas preconceituosas ou discursos piegas sobre o nordestino "romanceado", para não dizer idealizado. Para mim é um pouco da primeira e outro pouco da segunda opção com uma pitada de complexo de "não sei quem eu sou e não sei de onde vim". Por isso vou falar da minha mãe que uma nordestina quase que de verdade.
Minha mãe nasceu em Pernambuco, em uma cidade que vocês nunca ouviram falar, então nem vou dizer. Filha de mãe viúva bitolada em igreja, a mais nova de onze filhos e uma das 3 únicas filhas mulheres, cuja a diferença de idade é de 10 anos entre cada. Analisando a vida da minha mãe a gente pode ver que ela foi criada a partir dos pilares que sustentam a imagem que o resto do país tem do nordestino: catolicismo exacerbado, machismo, homens promíscuos, madrinhas semi-deusas, tias solteironas, ascensão e declínio social e racismo, só faltou a peixeira e a gaita. Mas apesar dessa criação ela nunca acreditou nessas coisas e por isso sempre foi um peixe fora d'agua dentro da própria família. Em 89 foi para o Rio de Janeiro onde se aproximou da família do meu pai que é extrovertida, engraçada e unida. Não se iludam, famílias não são perfeitas, mas teve contato com um tipo de interação famíliar que ela não estava acostumada e isso despertou uma característica muito especial dela: o humor. Durante 30 anos ela foi introvertida e de repente ela começou a expor algo que sempre teve, mas nunca encontrou espaço para se expressar.
Em 97 ela veio para São Paulo, onde pôde retomar o contato com livros, filmes etc, que ficou adormecido na época do Rio, pois as prioridades eram outras. É incrível, mas a minha mãe tem assunto com TODO mundo. E quando eu digo assunto, é assunto mesmo e não só ficar ouvindo o outro e fingindo que isso é uma conversa e soltando um pseudo comentário de vez em quando. Não! Ela tem conteúdo para compartilhar horas com qualquer pessoa. E São Paulo trouxe isso para ela, a auto- estima e também recursos financeiros.
Durante muitos anos e talvez até outro dia, eu não me permitia aceitar São Paulo. Eu sempre me considerei carioca, minha família estava lá, entre outros eventos, mas a minha mãe ficava dizendo: "Paula, a gente é do lugar que foi melhor para a gente". Sem dúvidas São Paulo é esse lugar, especialmente para a minha mãe.
Mas se a minha mãe é de São Paulo, por que nos sonhos ela acorda em Pernambuco?
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Falível, transitório, transitivo
Me tiraram a cidade, o sangue, o sotaque.
Lá se foi a identidade,
Vejo de longe a vida que seguiu.
Não estou lá.
Não estou cá.
- Pega o passaporte na gaveta.
A do meio.
Vou guarda-lo na estante.
Qual o ônibus que eu tenho que pegar mesmo?
Vou procurar no google maps.
Lá se foi a identidade,
Vejo de longe a vida que seguiu.
Não estou lá.
Não estou cá.
- Pega o passaporte na gaveta.
A do meio.
Vou guarda-lo na estante.
Qual o ônibus que eu tenho que pegar mesmo?
Vou procurar no google maps.
cocks
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poema,
Rio de Janeiro,
vida
domingo, 1 de novembro de 2009
Viagem de estagiária

Sempre arrumamos desculpas financeiras pra não fazermos algo a que, normalmente, diríamos "JÁ TÔ LÁ!". Prometemos para os amigos na mesa de bar "Vamos, vamos viajar mais. Nem que seja um bate-volta". Há. Nunca cumprimos.
Pois digo que eu, Tchela F. - 21 anos, drogada, prostituída, estagiária, pobre -, abracei a oportunidade quando ela surgiu: ficar na faixa em um apartamento do Leblon, no Rio de Janeiro. Ainda com essa mão na roda, nós pobres estagiários (e estagiários pobres) sabemos como todo o resto (transporte, passeios, alimentação) pode queimar o suado salariozinho.
Portanto, aqui vão minhas dicas de viagem, salpicadas com detalhes particulares e dispensáveis:
- Antes de tudo, compare os preços entre ir de ônibus e de avião. Pode haver alguma promoção relâmpago de companhias aéreas, nunca se sabe. Procure na Azul, na Gol, na Tam, na WebJet.
- Caso não haja nenhuma, vá de ônibus mesmo. E nada de leito ou executivo. Dá para economizar até R$20,00 na escolha do ônibus comum (com ar condicionado) em vez do executivo. Foram só 6 horas de viagem, achei tranquilo. Agora, encontrar o melhor horário com o melhor preço foi uma tarefa árdua. Descubra quais empresas trabalham com o trecho da viagem e com a rodoviária de sua escolha (Tietê ou Barra Funda) no site da Socicam.
- Compre já a passagem de volta. Depois é possível trocar o horário e até o tipo: se o novo horário for de um ônibus executivo, paga-se apenas a diferença de preço (confirme com a companhia).
- Como já era de se esperar dessa viagem de pobre, é claro que você não vai ganhar lanchinho no busão. Aliás, dependendo da companhia, nem água. Seja esperto e faça compras num supermercado ANTES de ir pra rodoviária. Lá as coisas são mais caras e se corre o risco de ficar três horas olhando as prateleiras, pesando a decisão entre preço, calorias e apelo gustativo.
- Leve uma mochila com suprimentos musicais, alimentícios e literários, além de meias e um casaco (porque faz muuuuito frio).
- Prepare-se psicologicamente para possíveis roncadores, crianças chatas e pessoas sem noção que veem TV e ouvem música SEM FONES DE OUVIDO.
- Anote tudo que gastar (até água e chiclete) e calcule o subtotal no fim de cada dia.
- Prepare-se psicologicamente e monetariamente para acompanhar sua amiga num jantar caríssimo. Sim, você terá que comer uma salada pequena e beber um copo d’água por R$30,00. Às vezes, temos que ceder.
- Contabilize dinheiro para táxi, mas tente sempre ir de ônibus aos lugares.
- Se beber na balada em São Paulo já ferra com o saldo no fim do mês, numa viagem o resultado é muito pior. NÃO FAÇA ISSO!
É isso, gente. Tenho mais coisas pra falar, mas estou morrendo de preguiça.
Boa viagem.
Pois digo que eu, Tchela F. - 21 anos, drogada, prostituída, estagiária, pobre -, abracei a oportunidade quando ela surgiu: ficar na faixa em um apartamento do Leblon, no Rio de Janeiro. Ainda com essa mão na roda, nós pobres estagiários (e estagiários pobres) sabemos como todo o resto (transporte, passeios, alimentação) pode queimar o suado salariozinho.
Portanto, aqui vão minhas dicas de viagem, salpicadas com detalhes particulares e dispensáveis:
- Antes de tudo, compare os preços entre ir de ônibus e de avião. Pode haver alguma promoção relâmpago de companhias aéreas, nunca se sabe. Procure na Azul, na Gol, na Tam, na WebJet.
- Caso não haja nenhuma, vá de ônibus mesmo. E nada de leito ou executivo. Dá para economizar até R$20,00 na escolha do ônibus comum (com ar condicionado) em vez do executivo. Foram só 6 horas de viagem, achei tranquilo. Agora, encontrar o melhor horário com o melhor preço foi uma tarefa árdua. Descubra quais empresas trabalham com o trecho da viagem e com a rodoviária de sua escolha (Tietê ou Barra Funda) no site da Socicam.
- Compre já a passagem de volta. Depois é possível trocar o horário e até o tipo: se o novo horário for de um ônibus executivo, paga-se apenas a diferença de preço (confirme com a companhia).
- Como já era de se esperar dessa viagem de pobre, é claro que você não vai ganhar lanchinho no busão. Aliás, dependendo da companhia, nem água. Seja esperto e faça compras num supermercado ANTES de ir pra rodoviária. Lá as coisas são mais caras e se corre o risco de ficar três horas olhando as prateleiras, pesando a decisão entre preço, calorias e apelo gustativo.
- Leve uma mochila com suprimentos musicais, alimentícios e literários, além de meias e um casaco (porque faz muuuuito frio).
- Prepare-se psicologicamente para possíveis roncadores, crianças chatas e pessoas sem noção que veem TV e ouvem música SEM FONES DE OUVIDO.
- Anote tudo que gastar (até água e chiclete) e calcule o subtotal no fim de cada dia.
- Prepare-se psicologicamente e monetariamente para acompanhar sua amiga num jantar caríssimo. Sim, você terá que comer uma salada pequena e beber um copo d’água por R$30,00. Às vezes, temos que ceder.
- Contabilize dinheiro para táxi, mas tente sempre ir de ônibus aos lugares.
- Se beber na balada em São Paulo já ferra com o saldo no fim do mês, numa viagem o resultado é muito pior. NÃO FAÇA ISSO!
É isso, gente. Tenho mais coisas pra falar, mas estou morrendo de preguiça.
Boa viagem.
cocks
dinheiro,
pobreza,
Rio de Janeiro,
Tchela,
viagem
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Domingo
Arroz, feijão, batata, salada e carne.
"É sempre a mesma coisa na casa da vovó."
Não pra mim.
Saudades da vovó falando inconvenientemente do cacete do vovô.
"hãn eu sou a Paulinha."
Não.Não. Em São Paulo é só Paula mesmo.
Mas eu sou a Paulinha.
"É sempre a mesma coisa na casa da vovó."
Não pra mim.
Saudades da vovó falando inconvenientemente do cacete do vovô.
"hãn eu sou a Paulinha."
Não.Não. Em São Paulo é só Paula mesmo.
Mas eu sou a Paulinha.
cocks
amor,
Paulevisk,
Rio de Janeiro,
saudades,
Vovó
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Notícias do Rio
o que eu posso dizer??
Sol, algumas chuvinhas, sem salva de tiros pela manhã (acho que a droga tah atrasada, crise né) e eu tô super sabendo pegar os ônibus aqui...hahahahah
Sol, algumas chuvinhas, sem salva de tiros pela manhã (acho que a droga tah atrasada, crise né) e eu tô super sabendo pegar os ônibus aqui...hahahahah
cocks
Paulevisk,
Rio de Janeiro
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Rio 40°
Não sei se foi ter ido a Belém ou se é porque estamos em Junho, mas até que está fresquinho e gostoso. NÃO ESTOU USANDO MEIAS. Adoro essa sensação de pés tocando o chão, o que não dá para fazer em são paulo (ainda mais que meu apê é mega frio), a não ser que eu queira gangrenar meus pés e ter de amputa-los.
Adoro o Rio!!
As pessoas de casaquinho no tempo pseudo-frio são um charme.
Adoro o Rio!!
As pessoas de casaquinho no tempo pseudo-frio são um charme.
cocks
Rio de Janeiro
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