O chef tava fazendo a receita da mãe dele, continuou ela, não era um bife qualquer. Então ele começou a mostrar os ingredientes, explicar quando cada coisa tinha que ir na frigideira; nessa hora você faz isso, enrola aqui, passa um pouco daquilo, sabe? Então, daí, de repente, ele disse "E agora vocês colocam bacon" e fez uma pausa. Ele olha pra gente e fala "Mas bacon? - você deve estar se perguntando. É, bacon. Eu disse que faria o bife à parmegiana da minha mãe, não um qualquer". Então ele foi cozinhando e contando como as pessoas sempre estranharam o bife da mãe italiana dele e sempre a criticaram "Mas bacon? Bife à parmegiana não leva bacon na receita!", ao que ela ria e respondia "Mi piace" - eu gosto.
Então, Marcela, com tudo isso que a gente conversou hoje, se dar o direito de ter as atitudes que você vem tendo faz sentido, mas só contribui pra te prejudicar. Sabe qual é seu verdadeiro grito de liberdade?
Os poucos horários destinados ao lazer pequeno-burguês? Minha viagem de ano novo? Os ridiculamente rápidos fins de semana?
Hahahahaha, não. Vai, você é uma mulher inteligente e já sabe a resposta dessa.
Bloquear as críticas.
Não é bloquear, mas não deixá-las te afetar. Existe uma diferença aí. Você resolveu se cercar de pessoas tão críticas como sua mãe. Então além de procurar pessoas que te façam bem e te enxerguem como você é, existe essa parte de adaptação a ela e aos parecidos com ela. É saber quando as pessoas estiverem projetando elas mesmas em você e responder às críticas, com a maior tranquilidade, "O bife à parmegiana é meu e eu o faço como eu quiser". Porque mi piace. Essa é a verdadeira liberdade.
Como diria a consagrada banda Natiruts, "liberdade pra dentro da cabeça (fumando um baseado-ú)".
Hahahaha é, é por ai.
Mi piace. Gostei. Daqui pra frente todos os meus bifes serão feitos como eu quiser. Porque eles são meus.





