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sábado, 11 de dezembro de 2010

O bife à parmegiana é meu e eu o faço como eu quiser


Certa vez, eu tava mudando de canal na TV, à noite, quando parei nesse programa de culinária, que tinha um bife à parmegiana com bacon - começou ela. Desta vez, como em muitas outras, não fazia ideia de onde a analogia nos levaria ou de como ela se relacionaria ao meu problema. No decorrer a história talvez eu descobrisse, mas confesso achar muito mais divertido quando não saco logo de cara onde minha psicóloga quer chegar. E, claro, seria incrível encontrar uma relação de semelhança entre um bife à parmegiana e meu modo de vida.

O chef tava fazendo a receita da mãe dele, continuou ela, não era um bife qualquer. Então ele começou a mostrar os ingredientes, explicar quando cada coisa tinha que ir na frigideira; nessa hora você faz isso, enrola aqui, passa um pouco daquilo, sabe? Então, daí, de repente, ele disse "E agora vocês colocam bacon" e fez uma pausa. Ele olha pra gente e fala "Mas bacon? - você deve estar se perguntando. É, bacon. Eu disse que faria o bife à parmegiana da minha mãe, não um qualquer". Então ele foi cozinhando e contando como as pessoas sempre estranharam o bife da mãe italiana dele e sempre a criticaram "Mas bacon? Bife à parmegiana não leva bacon na receita!", ao que ela ria e respondia "Mi piace" - eu gosto.

Então, Marcela, com tudo isso que a gente conversou hoje, se dar o direito de ter as atitudes que você vem tendo faz sentido, mas só contribui pra te prejudicar. Sabe qual é seu verdadeiro grito de liberdade?

Os poucos horários destinados ao lazer pequeno-burguês? Minha viagem de ano novo? Os ridiculamente rápidos fins de semana?

Hahahahaha, não. Vai, você é uma mulher inteligente e já sabe a resposta dessa.

Bloquear as críticas.

Não é bloquear, mas não deixá-las te afetar. Existe uma diferença aí. Você resolveu se cercar de pessoas tão críticas como sua mãe. Então além de procurar pessoas que te façam bem e te enxerguem como você é, existe essa parte de adaptação a ela e aos parecidos com ela. É saber quando as pessoas estiverem projetando elas mesmas em você e responder às críticas, com a maior tranquilidade, "O bife à parmegiana é meu e eu o faço como eu quiser". Porque mi piace. Essa é a verdadeira liberdade.

Como diria a consagrada banda Natiruts, "liberdade pra dentro da cabeça (fumando um baseado-ú)".

Hahahaha é, é por ai.

Mi piace. Gostei. Daqui pra frente todos os meus bifes serão feitos como eu quiser. Porque eles são meus.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Como identificar seus melhores amigos em 10 etapas

(de acordo com a database marcelística de dados concretamente subjetivos, conceituais e empíricos)

1. Divida com eles suas reflexões mais importantes, que ilustrem o cerne de quem você é
2. Tenha essas pessoas na sua vida por pelo menos dois anos
3. Conviva com eles todos os dias em pelo menos uma fase da sua vida
4. Ligue para eles de madrugada, chorando (e viva a situação inversa, sendo compreensivo até que se acalmem)
5. Viaje com eles
6. Passe com eles por uma fase turbulenta na vida deles (e por uma na sua vida)
7. Fique com algum deles
8. Fique com o irmão ou com o ex de algum deles (e viva a situação inversa)
9. Passe com eles por uma situação extrema, que requeira apoio e posicionamento (de sua parte ou da deles)
10. Tenha depressão ou fique ao lado de um deles que tenha


E depois de tudo isso, quem é que sobra? Seus melhores amigos. Parabéns!

domingo, 19 de setembro de 2010

Vidência


- Você consegue ver coisas nas pessoas só olhando pra elas? Sem usar as cartas ou os búzios?, perguntei à cigana, cartomante, mãe de santo Madalena, do viaduto do chá.
- Sim, claro. Você, por exemplo. Seus olhos. Eles são firmes como o mar.
- O mar é firme?
- O mar é forte. Você tem um fuxico com Iemanjá.
- E nele? O que você vê?, e olhei pra um dos meus poucos e melhores amigos, agachado desconfortavelmente aos meus pés, empunhando um gravador.
- Ele é uma pessoa muito iluminada.

Isso eu já sabia. Então, Madalena pegou as conchinhas com as duas mãos e jogou-as de volta à mesa improvisada de papelão, coberta por um pano branco.

- Ele vai fazer uma viagem pro trabalho e vai ser muito feliz. Ele vai gostar tanto que vai ficar por lá mesmo.

Mais tarde, voltando para o carro, voltei a pensar nisso.

- Então quer dizer que você vai viajar.
- Nossa, vai ser ótimo.
- É, desde que você não pare de responder meus emails, fico feliz por você.

domingo, 12 de setembro de 2010

Melhor amigo


"Você diria isso a sua melhor amiga?", me perguntou Ms. Angry Cook. "Com certeza não", respondi. E me dei conta de como me trato mal em alguns momentos. Não apenas eu como 90% dos meus conhecidos também têm esse comportamento.

Acontece que, vendo de fora a situação de um querido, conseguimos, com calma, avaliar o cenário e dar uma opinião construtiva. Mesmo se admitirmos a parte negativa, sempre ressaltaremos pelo menos um ponto positivo como oposição, nem que seja apenas a lição por trás da merda. Porque não queremos ver nosso amigo pra baixo, porque sabemos da capacidade dele de reverter a situação, porque sabemos que não é o fim do mundo.

E por que não tentar fazer isso com nós mesmos? Se não nos queremos ver para baixo, sabemos de nosso potencial e da reversibilidade do jogo? Naquele momento da conversa, pratiquei o exercício: fingi ser melhor amiga daquela pessoa que reclamava de si mesma azedamente. E me dei conselhos bem legais. Se posso ser carinhosa e compreensiva com meus amigos, então por que não sê-lo comigo mesma? Por que não ser seu próprio melhor amigo?

domingo, 5 de setembro de 2010

Intimidade

Numa bela tarde de sábado, estávamos eu e Mr. Whore conversando na sacada da casa dele. Nota: Mr. Whore é homem. E hétero.

Eu: Nossa, essa piscina é demais! Vamos chamar a Paula e fazer uma pool party?

Mr. Whore: Não dá, ela tem tido cólica esses dias.

Eu: Verdade, ela tá menstruada... pera! Como VOCÊ sabe disso?

Mr. Whore: Ela fica reclamando do meu lado o tempo todo de TPM e cólica. Mas eu também preferiria não saber.

Eu: Ok. Vamos tentar marcar isso pra depois da menstruação dela e antes da minha. Quando desce pra você?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Homem-fortaleza

Eu tinha me esquecido. Não sabia bem por quê. Sentia falta daquele abraço com a certeza de que me seria um respiro. E, ainda que o tenha sido, foi uma surpresa. Eu tinha me esquecido completamente de como era.

Quando ele me abraça, é uma torre. Pequenininha, disparo escadaria acima, correndo, correndo, percorrendo os degraus circulares na imensidão azul-escura. De repente, quase no topo, ele me encontra nas escadas. Agachamos de repente, não há tempo a perder. E cochichamos, ofegantes, nossos planos. Bem baixinho para não ecoar.

Depois, com mais calma, subimos os degraus restantes até o topo, onde contemplamos debaixo do céu pontilhado um mar de trigo e de silêncio. A brisa preenche meus pulmões e leva o cherinho de noite a cada célula do meu corpo.

E aí ele me solta. É um homem-fortaleza que tudo pode, mas nem tudo faz, porque nem se deu conta de que pode tudo. Então, me abraça.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

- Eu preciso te contar uma coisa,

mas eu não sei como você vai reagir.
- Manda!
- Bom, eu não gostei muito daquela sua amiga.
- Aaaaah! Que susto! Achei que você fosse me contar que estava grávida. Ou que tinha dado o cu.
- HAHAHA!
- Hahahaha! É verdade, foram as duas coisas que pensei imediatamente! "Oh my god, será que ela tá grávida? Não, isso é muito sério. Ah! Ela deu o cu! Será?"
- EU SABIA QUE VOCÊ IA PENSAR NISSO!
- Pra você ver que algumas coisas não mudam...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Memorando

Venho por meio deste comunicar às bolas de feno e às moscas a entrada de Junia, a mais nova integrante deste esplêndido blog. Ela, que por muitos anos caminhou ao nosso lado, trilhará agora este árduo caminho das pedras que é ter um blog e escrever besteiras nele. Espero que ela siga nossa linha (ainda que aparentemente não tenhamos uma) e aprenda, de uma vez por todas, qual é o endereço do site.

Câmbio e desligo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sunrise, Sunset

Fui assistir a Sex and the City 2 hoje, com a Tchela e a Junia (the two best friends that anyone could have). E uma grande questão do filme é o conceito de casamento. Não quero falar do filme, até mesmo porque não quero estragar para quem não o viu, mas quero trazer à tona algumas questões referentes a casamento.

Desde de pequenas, eu e a maioria das meninas olhamos para papai e mamãe, titio e titia, vovô e vovó (mesmo que eles dormissem em quartos separados) como o futuro que nos espera. Então pegávamos nossa bonequinha, as panelas e as xícaras e conversávamos com o nosso marido imaginário sobre o que ele queria jantar, como tinha sido o dia no trabalho e reclamávamos que ele não ajudava a cuidar da nossa filha e que estávamos cansadas de todo o trabalho doméstico. E que não, ele não pode sair com os amigos. Não contentes, vemos filmes românticos com pedidos de casamento incríveis e cerimônias perfeitas e já começamos a idealizar nosso vestido ideal, enfeites de mesa, cabelo preso ou solto e, é claro, nosso príncipe.

Também não quero falar desse príncipe irreal que imaginamos a nossa vida inteira, mas quero falar do relacionamento ideal. Duas pessoas juntas, convivendo e contando uma com a outra e como isso é pesado. Foram 7 anos de muita briga e términos para que eu, a Junia e a Tchela conseguíssemos chegar ao nível de amor e cumplicidade que temos uma com a outra hoje; imagine se a gente transasse. Ao longo desses anos, eu descobri também que a gente não pode ser muito exigente, que as pessoas são diferentes e cada um tem os seus próprios valores. No entanto, não faz sentido entrar uma relação com gente que não tem nada a ver, porque trabalhar a relação não é trabalhar a pessoa com quem você está, mas trabalhar a maneira que vocês interagem.

Sei lá, mas morro de medo de completar 30 anos de casada e ficar reclamando do meu marido. As pessoas mudam, mas não tanto assim. Se hoje ele não conversa com você, será que conversava antes? P.s.: Conversar sobre filhos não conta. Eu não entendo muito bem o que as pessoas ao meu redor esperam de um relacionamento - uma vez que tem um monte de namoros bizarros acontecendo -, só sei que eu me propus a ter muita calma nessa hora e não me contentar mais com pessoas que não fazem sentido, mesmo que eu surte de carência.

Agora vem a resposta que prometi sobre o post da Tchela Insistir no erro é burriçe? Sim! É burrice. Na verdade, foi burrice. Porque por mais que a gente aprenda com os erros e blablabla, uma coisa é errar perante o desconhecido e outra coisa é errar por escolher permanecer em uma relação que não te supre em diversas maneira e até te faz mal, criando a ilusão de que aquelas coisas ruins não estão acontecendo ou que não são tão ruins assim.

Anyways...

Enquanto meu príncipe não chega e nem meu casamento ideal, vou ficar ouvindo Sunrise, Sunset.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Happy birthday, Mr. President


*Para Junia, uma das versões que eu e a Pau gostamos de cantar

domingo, 23 de maio de 2010

Instistir no erro é burriçe?

Olha, sinceramente, não sei mais. Calma, tenho bons argumentos. Tudo começou (há um tempo atrás, na ilha do sol) com a constatação de uma amiga: “Fui muito burra de continuar com ele depois de tudo que ele me fez”.
Vocês não conhecem a história (e não cabe contá-la aqui, neste momento), mas suponham que, ao longo da relação, o parceiro acusado tenha, de fato, tido comportamentos deploráveis. Insistir num erro desses faz dessa minha amiga burra?
Mas, pera lá, o que é um erro? Existe certo ou errado? Podemos apenas ter relacionamentos com pessoas “certas” para nós, que preencham os requisitos detalhados numa prancheta? Elucubrações fantasiosas à parte, consideremos então que o moço e seu modo de se relacionar sejam um erro.
Ela foi tapada, burra, bastarda, inglória e vagabunda de ter insistido? Isso significa mesmo que ela não tenha amor próprio e merece chibatadas da vida para aprender a se valorizar? Não. Existem inúmeros motivos pelos quais esse fenômeno acontece, e cada um tem o seu.
Sabe quando, na praia, o pai avisa que o mar está bravo, que é perigoso se aventurar nas águas salgadas? E a pessoa vai mesmo assim? Começa a se distanciar, vê o pai acenando freneticamente e, por algum motivo, crê que tudo dará certo, que o mergulho será gostoso? Depois de tomar um caldo, engolir água e quase morrer, o ser iluminado percebe que não, o mar continuará bravo e, se não sair, o engolirá.
É isso. Há momentos na vida em que é necessário ignorar todos os sinais e tentar ao máximo para, depois, entendermos nossos limites, vermos como as pessoas são diferentes e podem nos fazer muito mal. Vermos como estamos nos posicionando, se de fato estamos deixando de nos valorizar, enfim, inúmeras questões. O lobo está vestido de cordeiro; não sabemos se vimos um canino mesmo, ou se nossos olhos nos pregaram peças.
Depois do caldo, aí sim ela aprende o que foi um devaneio e o que era o focinho do predador. Conquista a reserva, a reflexão, o aprendizado. Na próxima aventura aquática, minha amiga entrará no mar aos pouquinhos e de boias nos braços.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Heart-shaped

Don't break, don't break my heart...



and I won't break your heart-shaped box.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Skylark

Ouvi nossa música pra ter você ao meu lado. Contei tudo. Aí você cochichou todos os pensamentos de quando está quietinho, me abraçou e voltou pro seu lugar.



segunda-feira, 8 de março de 2010

Sair com a Paula


Clique na imagem para ampliar.

*Tirado do kioskerman.com.ar, dica do Sr. Ranzinza.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Poema que sem querer querendo apareceu na minha frente

troquei o velho coração de pedra
por um novo,
de borracha.
Devolve cada pancada que leva,
mas, com as intempéries do tempo,

também racha.
Kleber Bordinhão


[tudo a ver, né? muito fofo.]

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Coisas que aprendi no feriado:


- Canequinha shower não é sexy.
- A energia elétrica acabou na sua casa, mas você vai sair, e em outros lugares há luz. Perigo: as pessoas vão ver o que você, no escuro, não viu.
- Esteja preparado pra tudo! A vida é imprevisível.
- Coincidências não existem. Três amigos numa mesma situação podem resolvê-la no mesmo dia, com histórias super parecidas, e se encontrarem depois para contar os juicy details. True story.
- Lembre-se: "life has a funny way of helping you out when/ You think everything's gone wrong/And everything blows up/ In your face"*.

*Ironic, da Alanis Morissette

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Figura!

(Às duas da manhã)

- O que você faria pra gente comer se estivéssemos juntos agora, tipo no mesmo lugar?
- Macarrão. O que você faria?
- Bom, agora a pedida seria mais leve, faria umas torradas com azeite e orégano, um patê de atum com hortelã e uma vitamina de morango... o que acha?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Eu mereço

- ser tratada com consideração;
- ouvir Slow Cheetah antes de dormir:



- não carregar uma bolsa de 4kg pela cidade;
- ter a good, good romance;
- me acabar na D-Edge;
- parar tudo, num momento ruim, e me dar conta das pessoas especiais que estão sempre ao meu lado;
- comer uma PEQUENA porção de arroz integral com grelhado e salada, porque o carboidrato complexo e a proteína demoram a ser digeridos, mantêm a sensação de saciedade e me distraem da torta de chocolate de sobremesa;
- torta de chocolate de sobremesa, mas mereço mais emagrecer;
- não atacar minha gastrite nervosa;
- estar morrendo de sono, de manhã, na sala de espera do dentista, e me deparar com a Zelda Mello na TV. Ela é engraçada por conta deste vídeo:

AH

E eu amo meus amigos. Eles são os melhores do mundo.